Posts Tagged ‘Comportamento’

Mídia Corporal

10/09/2010

Foto: AFP/Google

O recente (re)aparecimento de Larissa Riquelme com a marca Axe estampada no peito fez surgir (novamente) a questão do aluguel do corpo como espaço publicitário. As iniciativas pelo mundo a fora parecem ter se dado principalmente a margem dos grandes anunciantes. É o caso do portal de serviços Lease your Body (Alugue seu corpo), que tem o fim de fornecer contato entre anunciantes e potenciais promotores corporais.

Vejo que o interessante aqui não é discutir os limites éticos ou morais do espaço publicitário e sim a expressão de um conteúdo que se liga a marca através do corpo. Nisto a dissertação de mestrado de Andrei Schiner, Marcado na Pele: Consumo, tatuagem e corpo. Um estudo sobre as representações do consumo através de tatuagens de marcas de produtos é elucidadora, pois o autor demonstra vários casos e motivações que envolvem a tatuagem como anuncio.

Restringindo a discussão (que parece estar apenas começando) para a questão da marca, faz com que o assunto fique muito pautado na questão da inserção de uma referência a ela ou mesmo a tatuagem da logomarca como anuncio. Acredito que a questão não precisa passar apenas por esse caminho.

Ao fazer uma tatuagem o individuo pode querer expressar algo presente em seu estilo de vida, no seu universo de valores, símbolos e atitudes. Por isso, vemos alguns exemplos interessantes de tatuagens espontâneas como é o caso da Harley-Davison, que segundo um dos entrevistados por Schiner: “A Harley-Davinson é um estilo de vida. A pessoa não está tatuando a marca está tatuando o estilo de vida”. Ou seja, é como dizer: a logomarca não é a marca e marca não é só um nome do produto. Ela vai além do produto e toca dimensões imateriais que cria vínculos entre um conteúdo expresso, o indivíduo e um coletivo.

Desta maneira, acredito que um alguém possa fazer uma tatuagem que expresse um conteúdo da marca sem necessariamente tatuar a logomarca. Pode por exemplo tatuar um símbolo associado, algo que esteja relacionado com a sua história pessoal e comungar ao mesmo tempo com o lifestyle marca.

Enxergo que estas questões dão pano para manga (já que esse é um blog também de moda estamos no lugar certo, não é?) e se encontram por possuírem novas paradigmas do consumo na atualidade.

Leia o resumo da dissertação: Marcado na Pele: Consumo, tatuagem e corpo.

Veja os slides.

Confira também – “Sentidos: armas para conectar clientes”. 

Jonas Fernandes

Pesquisa IBModa

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Tecendo uma moda verde

03/09/2010
Foto: Eileen Costa/Reprodução/FIT

 

Os dilemas sócio-ambientais que enfrentamos atualmente nos levam a refletir sobre o nosso estilo de vida e nossos hábitos. Essas questões emergem como um contraponto dentro da sociedade de consumo, pois vivemos em uma época posterior à explosão de consumo que se deu no contexto pós-segunda guerra mundial, a partir de 1950.

Diferentes óticas sobre a sociedade de consumo, trazem à tona posicionamentos mais extremos, tanto favoráveis como contrários a este modelo socioeconômico, num constante paradoxo: se houver uma desaceleração do consumo, a economia mundial e corre sério risco de recessão, o que seria devastador no âmbito social. No entanto, se o consumo aumentar infinitamente, o meio ambiente poderá se degradar e ameaçar as condições de saúde e vida da população. Portanto a questão que emerge é: como equilibrar essas as instâncias da economia e do meio ambiente? Ou seja, como gerar uma economia sustentável?

 No caso específico da indústria do vestuário e da moda, a questão sobre o consumo não se concentra apenas na compra, mas recai sobre todo o seu ciclo, desde o plantio das matérias primas até o desuso do produto, numa cadeia produtiva que gera um impacto depreciativo ao meio ambiente. Para abordar a questão sobre sustentabilidade na moda, o Museu do Fashion Institute of Technology (FIT), de Nova York, montou a mostra Eco Fashion – Going Green.

 Na exposição estão presentes peças compostas a partir de técnicas sustentáveis que consideram o impacto social e ambiental de todas as etapas do processo produtivo. São tanto técnicas de produção dos tecidos, como o tingimento natural utilizando-se de tintas não tóxicas, quanto, técnicas de criação como a construção de novas peças por meio do reaproveitamento de outras peças já prontas onde, de forma análoga à bricolagem, os estilistas desconstroem uma peça para compor novas criações.

 A exposição demonstra também uma reflexão sobre o ciclo produtivo da moda, onde é marcante a criação do brasileiro Carlos Miele: um vestido longo de seda, com fuxicos feitos pelas mulheres que participam da Cooperativa de Trabalho Artesanal de Costura da Rocinha. Ao utilizar o trabalho de um empreendimento voltado para a transformação da realidade social de mulheres da periferia do Rio de Janeiro a peça de Miele evoca uma reflexão sobre como viabilizar a produção de vestuário, incentivando iniciativas voltadas para fins sociais.

A Eco Fashion – Going Green mostra como a moda permeia um amplo espectro de agentes sociais e o quanto pensá-la de forma sustentável pode impactar positivamente nossos problemas ecológicos e sociais. A mostra estará em cartaz no Fashion and Textile History Gallery Museum do Fashion Institure of Technology, em Nova York, até o dia 13 de novembro, com entrada franca.

Leia o artigo completo: Eco Fashion – Going Green

Visite a Coopa-Roca: Coopa-Roca

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