Mídia Corporal

Foto: AFP/Google

O recente (re)aparecimento de Larissa Riquelme com a marca Axe estampada no peito fez surgir (novamente) a questão do aluguel do corpo como espaço publicitário. As iniciativas pelo mundo a fora parecem ter se dado principalmente a margem dos grandes anunciantes. É o caso do portal de serviços Lease your Body (Alugue seu corpo), que tem o fim de fornecer contato entre anunciantes e potenciais promotores corporais.

Vejo que o interessante aqui não é discutir os limites éticos ou morais do espaço publicitário e sim a expressão de um conteúdo que se liga a marca através do corpo. Nisto a dissertação de mestrado de Andrei Schiner, Marcado na Pele: Consumo, tatuagem e corpo. Um estudo sobre as representações do consumo através de tatuagens de marcas de produtos é elucidadora, pois o autor demonstra vários casos e motivações que envolvem a tatuagem como anuncio.

Restringindo a discussão (que parece estar apenas começando) para a questão da marca, faz com que o assunto fique muito pautado na questão da inserção de uma referência a ela ou mesmo a tatuagem da logomarca como anuncio. Acredito que a questão não precisa passar apenas por esse caminho.

Ao fazer uma tatuagem o individuo pode querer expressar algo presente em seu estilo de vida, no seu universo de valores, símbolos e atitudes. Por isso, vemos alguns exemplos interessantes de tatuagens espontâneas como é o caso da Harley-Davison, que segundo um dos entrevistados por Schiner: “A Harley-Davinson é um estilo de vida. A pessoa não está tatuando a marca está tatuando o estilo de vida”. Ou seja, é como dizer: a logomarca não é a marca e marca não é só um nome do produto. Ela vai além do produto e toca dimensões imateriais que cria vínculos entre um conteúdo expresso, o indivíduo e um coletivo.

Desta maneira, acredito que um alguém possa fazer uma tatuagem que expresse um conteúdo da marca sem necessariamente tatuar a logomarca. Pode por exemplo tatuar um símbolo associado, algo que esteja relacionado com a sua história pessoal e comungar ao mesmo tempo com o lifestyle marca.

Enxergo que estas questões dão pano para manga (já que esse é um blog também de moda estamos no lugar certo, não é?) e se encontram por possuírem novas paradigmas do consumo na atualidade.

Leia o resumo da dissertação: Marcado na Pele: Consumo, tatuagem e corpo.

Veja os slides.

Confira também – “Sentidos: armas para conectar clientes”. 

Jonas Fernandes

Pesquisa IBModa

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Uma resposta to “Mídia Corporal”

  1. IBModa Says:

    O corpo é hoje um dos principais capitais de uma pessoa, de uma forma geral e principalmente no Brasil: é utilizado nos relacionamentos, na esfera sexual e no mercado de trabalho. O corpo brasileiro é jovem, belo, trabalhado e exposto e, além disso, tem um determinado movimento, que também faz parte do capital do corpo.

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