Archive for abril \28\UTC 2010

A falta de profissionalização na Moda

28/04/2010

A revista Isto É Dinheiro publicou, em sua última página, um artigo muito interessante da jornalista Vanessa Barone, falando sobre a profissionalização da moda, bandeira defendida há anos pelo IBModa, que tem até uma campanha para isso (veja o conceito e o depoimento de importantes profissionais ligados à área em http://www.negociosdamoda.com.br/campanha/).

Reproduzimos abaixo o artigo, que fala sobre um dos principais gargalos no sistema; o estilista corre o mundo atrás de inspirações e tendências, a empresa toda se mobiliza para colocar as idéias dele(a) num desfile e depois produzir uma coleção em escala comercial, em uma série quase infindável de atividades e num tempo cada vez mais exíguo para, na hora da venda (e é bom lembrar o dado da matéria de que 85% da decisão ocorre na hora da compra) o consumidor encontrar um vendedor despreparado.

Leia e comente!

Artigo – Falta profissionalização

ISTO É DINHEIRO – Nº EDIÇÃO: 655

| 23.ABR – 21:00 | Atualizado em 23.04 – 20:43

O varejo de moda evoluiu com o tempo no Brasil,
mas ainda peca pelo atendimento pouco especializado

por Vanessa Barone

Quem vai a uma concessionária em busca de um carro novo costuma ouvir do vendedor muito mais do que o óbvio. Para além daquilo que se pode constatar com os olhos – cor, número de portas e modelo –, é possível saber detalhes como rendimento do motor, tipo de freio, características do sistema de amortecimento e desempenho em vários tipos de terreno.

Para poder informar tudo isso, vendedores de carros são treinados e – mais do que isso – obrigados a conhecer a fundo aquilo que comercializam. No varejo de artigos eletrônicos a situação é parecida: os comerciantes são capazes de passar especificações que auxiliam o consumidor no momento da compra. Devem ser especialistas no assunto, uma vez que o consumidor, na maioria das vezes, não é.

Mas encontrar vendedores bem preparados no varejo de moda, pelo menos no Brasil, é um artigo mais raro. Bem comum, no entanto, é achar profissionais jovens demais, quase entediados e pouco dispostos a escutar e aconselhar. O problema tem pelo menos duas razões: o pouco investimento da indústria de moda em treinamento e a informalidade que ainda impera.

Os empresários do setor costumam argumentar que há treinamento, mas que a rotatividade no comércio de vestuário é tamanha que não é possível cobrir toda a equipe de profissionais. Ser vendedor, dizem, é muitas vezes um bico para estudantes ou pessoas que almejam outras carreiras. A justificativa é boa, mas não traz alento.

A outra explicação vem do fato de boa parte do comércio de roupas, no Brasil, ter raízes na atividade informal dos mascates e pequenas lojinhas familiares. Obviamente, houve profissionalização, mas não em nível suficiente para cobrir a imensa atividade varejista de moda brasileira. Mas para grifes que pretendem, um dia, fazer sucesso no Exterior, investir em seus profissionais é uma questão urgente.

E o que resta ao consumidor? Comprar o que está na vitrine. De acordo com a pesquisa O Comportamento de Compra do Consumidor de Vestuário, feita pelo Instituto de Marketing Industrial (Iemi), 85% das vendas do comércio de roupa é motivada por produtos expostos na vitrine. Ou seja, o vendedor em si tem pouca participação na decisão do consumidor. É isso ou arriscar-se a ouvir bobagens do tipo: “Essa camisa é cara porque é de cetim.” Mas cetim de quê? Sim, porque o cetim não é um tecido, deveria saber o vendedor. Cetim é uma construção: é o jeito com que os fios são agrupados na máquina de tecer que dá aquele efeito “acetinado”.

Além desta, as outras duas construções básicas da tecelagem são a sarja e o tafetá. E quanto às fibras? Experimente perguntar de que fibra é feita determinada peça. Você provavelmente vai ficar sem resposta. Na indústria têxtil, é possível encontrar fibras naturais, artificiais ou sintéticas. As fibras naturais vêm da natureza. Simples assim.

Entre elas estão a lã, o linho, o algodão e a seda. As artificiais são obtidas de elementos naturais, como celulose extraída da madeira ou borracha. Mas não vêm prontas, precisam ser industrializadas. São elas: viscose, acetato, liocel e modal. Já as sintéticas são aquelas obtidas inteiramente da indústria petroquímica. Elas costumam ser as fibras mais baratas, portanto são muito utilizadas, caso de elastano, poliéster, acrílico e poliamida.

postado por André Robic – IBModa

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Dragão Fashion Brasil e a economia solidária!

23/04/2010

Oi gente!

Acontece de 25 a 28 de abril no Centro de Convenções de Fortaleza o maior evento de moda da região Nordeste, o Dragão Fashion.

Este ano o evento vai além dos desfiles e das palestras e aposta também numa exposição que mostrará o resultado do projeto Conexão Solidária, um importante projeto de economia solidária da região norte do país.

A Conexão Solidária surgiu a partir da 1ª Mostra Conexão Solidária, realizada em outubro de 2009 com o objetivo de estreitar as relações entre os empreendimentos solidários e os empresários de diferentes setores da economia, tais como: artesanato, confecções, biojóias, cama mesa & banho, utilidades e presentes, alimentos e bebidas, equipamentos industriais e outras.

Em favor da inclusão social, do desenvolvimento de negócios justos e sustentáveis e da democratização econômica, a Conexão Solidária faz a interface entre a demanda gerada pelas empresas e as diversas cooperativas solidárias.

Em seu showroom, localizado no bairro do Belém, em São Paulo, a Conexão Solidária disponibiliza amostras da produção de diversos empreendimentos de todo o Brasil. Lá, empresas interessadas têm a possibilidade de desenvolver um contato direto com os produtos, além de poder discutir melhor propostas de parceria.

Antenados com este desenvolvimento e com essas novas formas de produção o evento Dragão Fashion exibirá no próximo dia 25 (dia da abertura do evento) uma coleção de roupas produzidas por empreendimentos solidários de diferentes partes do país. O objetivo é mostrar ao mercado têxtil e de moda peças que valorizam o Eco-design e o trabalho realizado por artesãos, além de indicar como esta técnica pode ser incorporada à moda dentro do conceito de responsabilidade social e comércio justo. A coleção, assinada pelos irmãos estilistas André e Raphaella Castro, do Ceará e produzida por cooperativas de todo o país, será apresentada às 16h na Sala Barro montada no Centro de Convenções de Fortaleza.

O IBModa acredita em ações como essas porque conhece e reconhece a potencialidade do Norte e Nordeste enquanto polo criativo, economico e de mão de obra, afinal em 2008 iniciamos juntamente com a Secretaria de Tecnologia da Bahia o Projeto Estruturante de Moda que tinha como objetivo desenvolver o segmento têxtil da região. O projeto teve um retorno muito positivo e contou com o apoio de importantes instituições como SEBRAE, SENAI e outros.

É importante que projetos como este e iniciativas como a do Dragão Fashion cresçam ainda mais possibilitando o desenvolvimento da economia solidária.

Bruno Mendonça – IBModa

fotos: Alexandre Perroca

16ª edição do Rio-À-Porter

19/04/2010

via Approach

Rio-À-Porter chega à 16ª edição em expansão

Salão de Negócios de Moda e Design oficial do Fashion Rio reunirá 250 grifes, entre os dias 29 de maio e 1º de junho

Com maior número de expositores, a 16ª edição do Rio-À-Porter vai desfilar as melhores oportunidades do setor no Píer Mauá. De 29 de maio a 1º de junho, as principais grifes nacionais apresentarão suas coleções de Verão 2011 de moda feminina, masculina, infantil, sustentável e moda praia.

O Salão de Negócios oficial do Fashion Rio reunirá 250 expositores. Ocuparão os armazéns 4, 5 e 6 do Cais do Porto, numa área de 11.750 metros quadrados (3.500 metros quadrados a mais do que na edição passada). Grande quantidade de compradores nacionais e internacionais poderão apreciar as tendências da moda em diversos segmentos – inclusive acessórios. “Crescemos 50% em relação à edição de janeiro e, faltando mais de um mês para o evento, já estamos com todos os espaços reservados. Isso é resultado de muito planejamento, esforço e trabalho da organização e de todas as marcas envolvidas. É muito gratificante comprovar, no sucesso do evento de negócios, que estamos caminhando no rumo certo em nosso plano de convergência, inovação e crescimento da moda brasileira” afirma Paulo Borges, diretor criativo da Luminosidade.

Realizado em paralelo aos desfiles da 17ª edição do Fashion Rio, o Rio-À-Porter renova a parceria de sucesso do Grupo Luminosidade com a Francal Feiras. “O início dessa parceria, na edição Outono/Inverno 2010, foi um verdadeiro sucesso. Movimentamos mais de R$ 500 milhões e a expectativa para o verão é de superar esses números. Estamos trabalhando muito para isso”, garante A. J. Abdala, presidente da Francal. Estimulados pelo êxito da edição de janeiro, os organizadores do Rio-À-Porter ampliaram seu espaço para corresponder à demanda de novas grifes e à perspectiva do volume de negócios superior a meio bilhão.

Os interessados em visitar o Rio-À-Porter podem fazer o credenciamento pelo site do evento, que está de visual novo: www.rioaporter.com.br.

Equipe IBModa

Moda, arte e literatura

19/04/2010

Olá leitores!

Recebemos uma dica cultural muito interessante: uma peça que acontece em uma praça e reúne em sua trama uma homenagem a Flávio de Carvalho, atualmente com exposição retrospectiva no MAM-SP.

A peça faz parte do  projeto Peça na Praça. Traz figurino inspirado e cenografia inusitada, em frente ao monumento assinado por Flávio de Carvalho que homenageia o escritor e poeta espanhol Garcia Lorca. O Projeto é fruto de escolha coletiva dos integrantes da Companhia do Hotel Green Garden, e a decisão de encenar na Praça das Guianas foi motivada por nela estar abrigado o monumento criado pelo arquiteto e escultor Flávio de Carvalho em homenagem a Lorca. A cerimônia de inauguração, realizada em 1968, contou com a presença do poeta chileno Pablo Neruda, que fez um caloroso discurso elogiando o amigo Garcia Lorca e o autor da escultura.

O grupo fará a leitura do manifesto “Para que os jardins sejam vida, e as praças permaneçam como símbolo  de prosperidade“. A série Poemas de Nova Iorque, escrita em 1929 pelo poeta espanhol Federico Garcia Lorca, serviu de base para a concepção deste espetáculo, uma coletânea de representações simbólicas, composta de sete poemas.

A escultura se encontra hoje deteriorada e sem conservação.  “Queremos despertar o interesse das autoridades e dos cidadãos para a conservação do patrimônio histórico da cidade”, diz o diretor Ivan Feijó. Ao fim da peça, o público é convidado a assinar um manifesto pela recuperação do monumento.

Serviço:

Os Cantos do Hotel

Direção – Ivan Feijó

Companhia Hotel Green Garden

Temporada até dia 25 de abril

Sábados     20h

Domingos  19h

Duração: 50 minutos

Indicação de faixa etária – 16 anos

Praça das Guianas – Jardim Paulista

(Altura do nº 3952 da Av. Nove de Julho)

Grátis

Equipe IBModa

Artsy#4 – Giro Cultural

13/04/2010

O mundo da arte contemporânea anda agitado na cidade de São Paulo. Para os fashionistas a cidade está cheia de exposições que trazem uma relação bem bacana de arte e moda, mesmo que nas entrelinhas.

Primeiro é interessante falar da grande retrospectiva do artista Andy Warhol que a Estação Pinacoteca está abrigando. Não precisamos nem comentar a relação do artista com a moda, tanto como produtor de imagens como pensador do mundo contemporâneo. Andy é tão presente em nossas vidas que já se tornou inerente principalmente como referencia para a moda e para o design.

Desde as centenas de serigrafias do artista, quanto os seus vídeos da série Screen Tests e os belíssimos filmes de arte produzidos por ele tudo respira comportamento, seja de forma crítica ou reverenciada. A exposição é uma imersão na mente do artista que mais do que ninguém questionou o consumo, assunto tão presente na atualidade.

Outra dica muito interessante é a exposição retrospectiva do artista brasileiro Hélio Oiticica, que está em cartaz no Instituto Itaú Cultural. Hélio se tornou um ícone na arte contemporânea brasileira e é interessante perceber a influência dele em nossa cultura contemporânea nas diversas áreas da criação. O próprio Hélio já serviu muito de referência para o pessoal da Moda principalmente por sua obra “Parangolé” na qual a matéria têxtil é o vértice. A Moda já flertou muito com Oiticica, tanto que pesquisadores da área como a artista visual Suzy Okamoto e o estilista Ronaldo Fraga, entre outros, já pesquisaram e o utilizaram em diversas criações.

Para Hélio Oiticica a questão da indumentária era muito importante em suas obras, tanto nas performances quanto em suas instalações.

E duas outras ótimas dicas de exposição são a retrospectiva da estilista Diane von Furstenberg que acontece no Shopping Iguatemi e a retrospectiva do artista multimídia Flávio de Carvalho que abre esta semana no MAM.

A estilista Diane von Furstenberg revolucionou a moda feminina e a questão do gênero dialogando estreitamente com a arte contemporânea. Já Flávio de Carvalho teve uma relação estreita com a Moda, pois além de muitas outras coisas foi figurinista e cenógrafo. O artista fez a antológica performance/happening Experiência  nº 03 com o próprio artista usando saia pelas ruas de São Paulo em uma época na qual uma ação como esta era considerada tabu. O interessante é que ele intitulou o traje de “Traje Tropical”.

Enfim, Sampa está borbulhando e para quem procura inspiração a cidade está cheia de exposições de grandes criadores que dialogam a arte com outras áreas do conhecimento.

Equipe IBModa

X Edição do Projeto Milano

12/04/2010

Milão: entretenimento e conhecimento

Milão é considerada a capital internacional do design. A elegância, criatividade e refinamento da cidade são exemplarmente mostrados também na criação e produção da moda.

Desde os anos 70, Milão se tornou referência mundial para os negócios da moda. Visitar a cidade, por si só, já é uma experiência imprescindível para quem trabalha na área. Mas se a visita for guiada, se ganha tempo e se potencializa o conhecimento e as experiências.

Partindo dessa idéia, o Laboratório de Design de Moda da Universidade Estadual de Londrina elaborou o Projeto Milano, que acontece desde 1994, com o objetivo de  melhorar a qualidade dos produtos de moda nacionais e tornar o setor de confecção mais competitivo. O programa, que desde 2004 também inclui Paris em seu roteiro, é composto por palestras, visitas culturais, centros de informação e pesquisa, bibliotecas especializadas em moda, indústrias de confecção, além de uma variada programação cultural, importante para a compreensão do italian design.

O programa acontece de 4 a 17 de setembro de 2010.

Para saber mais sobre o projeto acesse:

http://www.projetomilano.pro.br/index2.asp

Participe, é uma excelente oportunidade!!!!

André Robic –  IBModa

Skol Sensation aposta em lifestyle!

06/04/2010

via assessoria de imprensa

Como já falamos aqui no blog este ano o Skol Sensation está super focado em life style promovendo assim um novo diálogo com o seu target e uma estratégia de promoção diferenciada e segmentada.

Este ano o evento desenvolveu uma parceria com a stylist Carol Glidden Gannon, estilista da marca D´Arouche em parceria com o também stylist Davi Pollak.

Abaixo vamos disponiblizar uma nota com dicas de moda feitas por Carol Glidden para o look branco característico do evento.

Dicas para compor o look branco no Skol Sensation

Já foi o tempo em que um visual totalmente branco era restrito ao ano novo. Agora, o look básico ganhou passarelas, ruas e novos cortes ousados e entrou para o hall das cores tem-que-ter do inverno ao verão.

Sendo assim, há motivos de sobra para ir com o look dos sonhos ao Skol Sensation. A festa que aterrissou no Brasil no ano passado, tem como tema da sua segunda edição o “Ocean of White” e o traje obrigatório é, claro, branco.

Carol  Glidden-Gannon, estilista da D’Arouche e consultora de moda da promoção “Look dos Sonhos” do Skol Sensation, dá dicas para que todos arrasem na pista do evento.

Pés de cinderela:

Para os fãs de salto alto, a aposta para se jogar na dança sem perder o conforto são os sapatos meia-pata.  Com salto plataforma na parte da frente que minimiza o salto, eles acabam sendo mais confortáveis que os sapatos de salto comuns. Fáceis de combinar dão um toque moderno a qualquer visual.  Mas, para quem não abre mão da comodidade, vale abusar das rasteirinhas e sapatilhas.

Os meninos também devem variar do tênis básico. Os sapatos Top Siders voltaram com tudo dos anos 80 e ajudam a sofisticar o look.

Acessórios:

Em um visual monocromático os acessórios fazem toda a diferença. Carol dá a dica: meninas usem e abusem dos maxi colares. É o acessório do momento, além de deixar o visual mais divertido. Para os meninos, a dica é encarar pulseiras, cintos e correntes que  remetem aos Rock Stars dos anos 80. Tachas estão liberadas.

Mito:

Branco não engorda. O que engorda é usar roupa menor ou um modelo que não se adequa ao seu corpo. Calças retas alongam as pernas, blusas cavadas valorizam o colo e tiram a atenção das regiões mais cheinhas. Calças brancas muito justas acabam ficando vulgar em todos os casos. Se você está com o corpão em cima aproveite, mas com equilíbrio. Lembre que dá pra exagerar só em uma das extremidades. Então, se for de mini saia, nada de blusa super decotada, ok?

Maquiagem:

Cores flúor ainda estão super em alta aproveitando a ressaca do verão. Aproveite e use das unhas ao make up. Atenção com a base e corretivos. Não podem ser nem mais claros nem mais escuros que o seu tom de pele. Out e proibido está o lápis branco, que não vale nem em cima nem embaixo dos olhos.

O Skol Sensation acontece no dia 17 de abril, no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Mais informações www.skolsensation.com.br .

Equipe IBModa

Ctrl C Ctrl V

05/04/2010

Marc Jacobs ou Diane Von Furstenberg?

Equipe IBModa

Sentidos: armas para conectar clientes

05/04/2010

Olá gente!

No final do mês de março saiu um artigo da nossa diretora de marketing, Luciane Robic no site Mundo do Marketing falando sobre novas estratégias que algumas marcas estão usando para conectar seus clientes.

Abaixo segue o artigo completo que você também pode ver pelo link: http://tinyurl.com/yj7bqcf

Por Luciane Robic*

Os tempos mudaram. Agradar e fidelizar o consumidor a uma marca vem sendo uma tarefa cada vez mais difícil e desafiadora. Marcas novas surgem diariamente nas ruas e shoppings, e brigam com todas as armas para conseguir um lugar ao sol. Se antigamente as grandes tinham mais vantagens pela sua experiência de vida, maturidade e capitalização, hoje marcas pequenas, exclusivas e conhecidas por poucos também podem ter sucesso pela possibilidade de se relacionar mais intimamente com o consumidor.

Lipovetsky (Luxe Eternel, Luxe Emotionnel) leva essa questão de relacionamento de compra do consumidor ao seu limite: “a busca dos gozos privados suplantou a exigência de ostentação e de reconhecimento social: a época contemporânea vê afirmar-se um luxo de tipo inédito, um luxo emocional, experiencial, psicologizado, substituindo a primazia da teatralidade social pela das sensações intimas”.

As experiências e as sensações são um ponto vital para todos, qualquer que seja sua cultura, ocupação ou classe social. Essas experiências e sensações começaram a ter seu valor percebido e descrito à medida que a sociedade de serviços evoluiu e demonstrou o valor do intangível, e cresceram ainda mais com a passagem para a sociedade do conhecimento, onde o imaterial se sobressai cada vez mais. Dessa forma, o poder de diferenciação para se tornar uma marca exclusiva e especial na mente e no coração dos consumidores está cada vez mais complexo. Caminha cada vez mais para sua composição imaterial, impulsionada pelos sentidos e pelas experiências que as marcas promovem e que permeiam por toda sua atmosfera.

Com tantas opções de estilos e produtos, o consumidor é quem dá as cartas. É ele quem aponta o dedo para onde quer ir e para o que quer comprar, com muito mais sabedoria do que tempos atrás. Para agradar a esse consumidor complexo e exigente, mais do que colocar um produto bacana nas prateleiras, as marcas precisam saber como interpretar suas expectativas emocionais e sensoriais. Saber do que ele gosta, quais são seus principais grupos de relacionamento, suas práticas preferidas, os lugares que frequenta, os cheiros que o estimulam, as músicas que ouve, com que mídias dialoga. É necessário compreender a arquitetura sensorial que o conecta ao mundo da marca. Arte ou ciência, esse conhecimento e as ações dele decorrentes são conhecidas hoje como branding, a atividade de cada marca para entender o universo do seu público e criar elementos que a identifiquem com o seu público, estabelecendo relações por meio de imagens, sensações, percepções e associações.

Para empresas que desejam criar uma estratégia de marca efetiva, tão importante quanto o desenvolvimento do produto está a construção da arquitetura sensorial de sua marca. Sim, estamos falando mesmo dos cinco sentidos, do que podemos, como consumidores, experimentar e vivenciar por meio deles. Aí está uma das principais tendências do marketing: conectar o consumidor pelo cheiro, pela música, pelo visual, pelo tato, pelo sabor. Fazer com que ele, ao entrar numa loja e sentir que aquele cheiro é só dela, a identifique de imediato e, ao mesmo tempo, se identifique com sua personalidade. Assim acontece com os recursos visuais que se constroem nos ambientes da marca, com docinhos e bebidas oferecidos, com os componentes da decoração do ambiente, responsáveis pela interatividade, quase como brinquedos com os quais o consumidor se diverte enquanto faz suas compras, envolvido naquela atmosfera que o deixa se sentindo em casa, e com a qual se identifica inteiramente. Isso tudo, claro, tem que vir acompanhado de boa comunicação, operação de varejo, distribuição, bons produtos, preços competitivos e toda a cartilha que a marca deve ter para fazer um bom trabalho de marketing.

Alguns bons exemplos? Nada melhor do que apontar para as marcas de moda, uma das categorias de produtos mais comprometidos com a verbalização, sem a necessidade de palavras, para apontar a sua personalidade. A Zara é uma delas; por não fazer anúncios ou uma comunicação ativa, aposta no ponto-de-venda, que vem recheado de sensações: quilômetros de vitrinas ao redor do mundo, música, cheiro e ambientes totalmente planejados para dispor seus produtos milimetricamente disponíveis para experimentação e aprovação do cliente, sempre com uma sensação de unicidade e de escassez.

A Osklen, por sua vez, consegue alinhar toda a atmosfera criada nos desfiles aos catálogos de produtos, às viagens publicadas no site e nos anúncios e ao ponto de venda. A atmosfera da grife se verbaliza nas sensações provocadas quando se entra na loja e os produtos, discretamente colocados no entorno do cliente, fazem compreender e, principalmente, vivenciar o estilo despojado que a marca propõe. Uma máquina fotográfica, uma prancha de surf, uma fotografia em branco e preto, que provoca no consumidor a sensação de já fazer parte das cenas da memória da marca – e portanto a relação inversa é verdadeira: as cenas da marca já fazem parte da vida e da memória daquele consumidor.

A Le Lis Blanc sofisticou sensorialmente seu ponto-devenda: sua vitrina é expressiva, sempre tratando de temas que ao mesmo tempo em que anunciam o conceito da marca, aguçam o desejo de experimentar suas coleções. A iluminação ajuda a disposição da loja, formando um percurso atraente e peculiar, o cheiro exclusivo que paira no ar e a música que toca sutilmente, envolvem profundamente o cliente: “essa marca é para mim, essa marca é minha”.

A moda é dinâmica, pede conhecimento, técnica e sofisticação na interpretação dos sentidos. Como a web, que permite escolhas a um simples click, para ser deixada para trás num instante uma marca precisa de não mais do que alguns passos dentro de um shopping center. Apesar de a moda estar fortalecida no Brasil, ainda identificamos problemas de produto e, muitas vezes, um foco totalmente direcionado para eventos e desfiles, que apenas compõem um momento de exposição da marca, mas não realiza a transição das informações apresentadas nas passarelas para as lojas de forma eficaz.

Uma marca forte se constrói com o olhar voltado para o consumidor, sempre. É ele o foco de todas as ações, é ele quem vai comprar. E se o negócio agora é conquistá-lo pelas sensações, é hora de saber qual seu gosto musical, que tipo de perfumes prefere, suas cores prediletas, as histórias que o emocionam ou divertem, os sabores que o excitam e colocar todo esse universo sensorial no ponto-de-venda e em todos os demais pontos de interação dele com a marca. Depois, é esperar pelo sucesso da última coleção.

* Luciane Robic é Diretora de Marketing do IBModa (Instituto Brasileiro de Moda). Especialista em marcas e varejo de moda. Formada pela ESPM em Comunicação, mestre em Administração e Doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP.

Equipe IBModa

A serpente, a maçã e o holograma

05/04/2010

(clique na imagem para ampliar)

Olá a todos!

É com grande prazer que divulgamos o novo livro do pesquisador Norval Baitello Junior que é sempre uma grande fonte de pesquisa para o IBModa.

Seu novo livro “A serpente, a maçã e o holograma- Esboços para uma Teoria da Mídia” já está nas lojas e atualmente está sendo editado pela editora PAULUS.

O livro aborda alguns cenários reflexivos e críticos sobre o assunto, o autor apresenta artigos que dialogam com os estudiosos Vilém Flusser, Harry Pross e Aby Warburg, precursores ou propositores de uma teoria das imagens mediáticas. “Em torno desses autores gira a temática do livro, esboçando elementos para uma Teoria da Mídia como tentativa de ler em profundidade, muito além das superfícies e muito além do imediatismo apressado como imperativo inevitável da mídia, mas que acaba contaminando também os seus estudos”, explica o autor.

As abordagens presentes neste trabalho estão todas associadas a novas constelações conceituais, conduzindo o leitor a um estudo minucioso e a uma ampliação do seu horizonte de compreensão, sem tratar de forma repetitiva ou insistente os ideais dos pensadores citados acima, discutidos em inúmeros ensaios. Além disso, no decorrer das páginas, é possível encontrar ilustrações e fotografias, elementos que ajudam na construção de uma leitura ainda mais crítica.

O título, curioso e instigante, também enriquece a proposta inovadora da obra, pois relaciona a cena do pecado original, que determinou os destinos do mundo judaico-cristão, com o tema da desmaterialização dos suportes midiáticos.

A serpente, a maçã e o holograma – Esboços para uma Teoria da Mídia é mais um lançamento da coleção Comunicação, que reúne mais de 30 títulos e autores de reconhecimento internacional, como Ciro Marcondes Filho, Lucia Santaella, Eugênio Trivinho, entre outros.

Norval Baitello Junior é doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade Livre de Berlim. É professor na Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, tendo sido diretor da Faculdade de Comunicação e Filosofia, onde criou os cursos de Comunicação e Artes do Corpo e Comunicação em Multimeios. Fundou, em 1992, o Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Semiótica da Cultura e da Mídia (CISC), atuante em inúmeros eventos e projetos de pesquisa em Comunicação e Cultura. É pesquisador do CNPq e foi professor convidado das Universidades de Sevilha, Viena, São Petersburgo e Autônoma de Barcelona.

Para saber mais sobre suas pesquisas e trabalhos na área de comunicação leia a entrevista que o IBModa realizou com ele na edição nº 3 de nossa revista digital AntennaWeb. Aqui segue o link: http://www.antennaweb.com.br/edicao3/entrevista/index.htm

Bruno Mendonça – IBModa