Archive for fevereiro \24\UTC 2010

&quot

24/02/2010

No último Caderno + do Jornal Folha de São Paulo saíram notícias tão interessantes sobre mídias sociais que já postamos uma aqui e ainda temos outra matéria para postar. Dessa vez a redação do jornal fez uma entrevista super bacana com Julia Angwin – editora de tecnologia do Wall Street Journal.

A idéia não é ficar postando conteúdos de outras mídias mas como o conteúdo deste Caderno + estava muito bom achamos que essas entrevistas eram fundamentais para serem colocadas na íntegra.

FOLHA DE SPAULO – CADERNO MAIS!

São Paulo, domingo, 21 de fevereiro de 2010

Eu é um outro
Usuários têm hoje olhar mais cínico em relação às redes sociais, diz
editora de tecnologia do “Wall Street Journal”.

Para Julia Angwin, editora de tecnologia no “Wall Street Journal”, as redes sociais não são apenas a principal frente de um novo modelo econômico. Os aplicativos que acompanham o Twitter e levam novos públicos aos jogos no Facebook, a integração de contas por meio de mecanismos como Google Buzz e Facebook Connect e o fato de as redes não serem suficientemente valorizadas por anunciantes são motivos de preocupação e devem moldar o futuro nos âmbitos cultural, social e legal. Angwin tem acompanhado o tema desde 2007, quando começou a investigar a história do MySpace, site de relacionamento adotado por músicos de diversos estilos, por sua facilidade de divulgação, e comprado pela News Corporation, em 2005, por US$ 580 milhões.
Seu fracasso parece ter ocorrido por acaso. É a impressão deixada pelo título de seu livro, “Stealing MySpace – The Battle to Control the Most Popular Website in America” (Roubando o MySpace – A Batalha para Controlar o Site Mais Popular dos EUA, ed. Random House), cujo subtítulo só ficou atual por um mês. Depois de lançá-lo em março do ano passado, a autora viu em abril o MySpace ser desbancado, em número de visitas, pelo Facebook. Mas o livro contém informações que ajudam a explicar o declínio do site, que continua a perder posições na audiência da web: sua origem menos profissional do que a concorrência. Em entrevista à Folha, Angwin lamenta que, junto com o MySpace, esteja caindo o estandarte do relacionamento virtual anônimo, que garante maior privacidade e liberdade de expressão. (EGN)


FOLHA – Por que o MySpace perdeu a liderança?
JULIA ANGWIN – Eles foram lentos para reagir tecnologicamente, se atualizar. Não perceberam a tempo que precisavam acrescentar novas atrações, que as outras redes eram ameaças. Sofreram um pouco com a fadiga das pessoas, a tendência para migrar para as novidades, é verdade, mas não fizeram o bastante para mantê-las. Nessa área, se você não inova, fica para trás: as páginas demoram para carregar, o software é velho…

FOLHA – Como a sra. descreveria seus criadores, Chris DeWolfe e Tom Anderson?
ANGWIN – Criaturas típicas de Los Angeles. Diferentemente dos engenheiros do Google ou do Yahoo!, são pessoas “espertas”, mais do que tecnologicamente interessadas, são gênios do marketing, mas de um nível um pouco baixo de marketing.Fizeram um marketing sujo no início, para conseguir tocar as coisas. Distribuíram “spyware” [programas que roubam informações do computador do usuário], fizeram spam.

FOLHA – Ben Mezrich lançou “Os Bilionários Acidentais”, sobre o Facebook. Não acha que o sucesso MySpace é mais apropriadamente “acidental”?
ANGWIN – Muito mais acidental. Os criadores do MySpace foram realmente heróis improváveis. Os criadores do Facebook eram estudantes de Harvard, gente bem preparada e interessada, que às vezes larga tudo para começar algo novo -a velha história de Bill Gates e Steve Jobs.

FOLHA – A sra. teve o azar de ter o subtítulo do livro desatualizado logo após o lançamento…
ANGWIN – Foi muito azar! Foi verdade por mais de um ano e, um mês
depois de lançado, não era mais.

FOLHA – …E agora, enquanto vê as redes sociais lutarem pelo público, consegue predizer quem tomará o lugar do Facebook?
ANGWIN – Não dá para adivinhar, mas, como os usuários estão mais amadurecidos com as redes sociais, suponho que se irritem com o fato de o Facebook fazer mudanças a toda hora. Não há mais a euforia, as pessoas estão ficando mais cínicas quanto às redes, querem exigir
responsabilidade dessas empresas.Portanto o maior interesse pode ser em ter controle sobre seu perfil, sua privacidade, as possibilidades de montar sua interface.Gosto do modelo do Ning. Você monta sua própria rede social com suas regras e sem ser encontrado se não quiser. Líderes iraquianos estão usando esse tipo de rede para compartilhar histórias e traumas, sem usar um espaço público. A ideia de fazer isso em sites onde as pessoas já estão, como o Google faz no Gmail, é boa; mas não estou nada contente com o Google quanto à questão da privacidade.

FOLHA – As diferentes redes usam mecânicas diferentes. Acha que a tendência é uma homogeneização, quando surgir uma fórmula vitoriosa, mais ou menos como ocorreu com serviços de e-mail grátis?
ANGWIN – Parece que teremos as plataformas de massa, como Facebook, onde todos estão justamente porque todo mundo já está lá. Mas também haverá nichos para participar daquilo que você não quer compartilhar, para controlar melhor a conversa, ter uma relação mais íntima.

FOLHA – Mais usuários sempre quer dizer mais dinheiro?
ANGWIN – Esse é um ponto importante: há uma subvalorização desses sites. Eles ganham dinheiro, mas certamente não o que se espera de quem tem milhões de espectadores. Essas redes ganham menos do que poderiam com anúncios. Enquanto isso, os sites ficam um pouco
dependentes de um mercado sujo para viver.Por exemplo o Twitter ter de vender dados para o Google e o Bing. Os usuários do Facebook geralmente não têm conhecimento de quanto de seus
dados são disponibilizados.

FOLHA – Esses sites são o centro do que parece ser um novo modelo de negócio, baseado em transações mais frequentes, de valores baixos, do mercado de aplicativos -especialmente jogos. O Facebook tomou a dianteira nisso também?
ANGWIN – Sim. É verdade que o Twitter também tem uma plataforma boa para aplicativos -mas não são jogos, e sim programas para a visualização de informações. Os jogos são os mais populares aplicativos desse novo mercado.

FOLHA – Mas isso não pode ser ruim para o Facebook? Pois jogos têm mais apelo entre jovens, o público-alvo do MySpace, enquanto as informações de joguinhos enchem a página do Facebook e atrapalham seu design, célebre pela “limpeza”…
ANGWIN – Pode ser irritante o fato de o Facebook mudar a toda hora o funcionamento de seus recursos, agora receber informações sobre os jogos de outras pessoas, mas ele deve corrigir isso. A questão principal é quais jogos são mais divertidos. A novidade poderia favorecer o MySpace, porque tem o público mais adequado, mas os programadores bacanas não estão por lá: sua tecnologia é desatualizada e ocorre uma deserção maciça -perderam 1 milhão de usuários em um mês. Logo, as empresas não veem razão para investir nele.

FOLHA – No ano passado, a sra. aventou a possibilidade de o Twitter ser o novo “carrão” do pedaço. Ele é?
ANGWIN – O Twitter tem seus problemas, ele e o Facebook experimentam suas “dores de crescimento” e crise de identidade, uma falta de clareza sobre onde querem estar. Muito disso vem da falta de condições de fazer dinheiro. O Facebook prevê lucros neste ano, mas não tanto
quanto se esperaria de alguém com mais de 300 milhões de usuários.O interessante é que o “ecossistema do Twitter” ultrapassou o próprio Twitter em importância; posso usar o TwitterDeck e nunca mais entrar diretamente no endereço do Twitter; já o Facebook permanece como
portal para os aplicativos que abriga. O futuro do Twitter fica em dúvida.

FOLHA – Hoje é comum cultivarmos uma persona em cada rede, múltiplos avatares. Com tentativas de integrar as redes sociais, como Facebook Connect e o Google Buzz, perderemos pluralidade?
ANGWIN – O Facebook tem convencido muitas pessoas de que é mais seguro mostrar seu nome verdadeiro hoje. Mas existe uma necessidade de anonimidade que é intrínseca à liberdade de expressão, à expressão política. Vide o exemplo dos protestos no Irã. Precisamos poder ser
anônimos. Infelizmente o maior fórum para a anonimidade é o MySpace, que falhou de tantas outras formas.O Twitter é confuso em relação à anonimidade: pede isso de algumas celebridades, mas não do público em geral, permite imitadores que façam paródia, mas não “imitadores sérios”, há um problema aí. A tentativa de integrar tudo numa só senha, concentrar todas as suas
relações, preocupa.

FOLHA – Assim, devemos considerar um risco que empresas como o Google e as redes sociais colecionem tamanha base de dados pessoais? Acredita que possam em breve ser limitadas pela Justiça, assim como a Microsoft teve problemas nos anos 90 por monopolizar o mercado?
ANGWIN – É um risco. Vemos em casos como o dos hackers chineses que atacaram o Google: mesmo que estejam bem intencionados, aqueles que detêm as informações não podem garantir muita segurança. E as companhias nem sempre estão muito interessadas em nossa privacidade.

FOLHA – Como as pessoas vêm se acostumando a ser observadas, adicionadas e “retuitadas”, caminha-se para um mundo sem privacidade?
ANGWIN – Preocupo-me muito com isso: a definição de privado tem ficado mais estreita, as leis precisam ser repensadas.Hoje, um usuário pode ligar para o YouTube dizendo que uma canção de
sua autoria está on-line sem sua autorização e eles irão removê-la; mas não há o direito de pedir para tirarem um vídeo de si mesmo dançando nu. Ficamos sem direito sobre nossa identidade, não é?Não existe a mesma garantia legal dos direitos autorais.Muitos juristas têm refletido sobre isso.

Equipe IBModa

Anúncios

Artsy#3 – Melanie Bonajo

24/02/2010

Olá a todos!

Como prometemos sempre postariamos aqui no blog pequenos textos sobre artistas que relacionam moda e arte e fazem um trabalho super bacana e contemporâneo. Essa é a nossa 3ª edição da seção Artsy e vamos falar um pouco nesse post da artista multimídia Melanie Bonajo.

Melanie Bonajo é uma artista holandesa que trabalha com suportes variados, como fotografia (sua principal mídia), vídeo, escultura, instalação, colagem…

Eu descobri o trabalho de Melanie Bonajo faz mais ou menos uns 2 anos quando caiu em minhas mãos um disco incrível de outra artista super interdisciplinar, a performer Planningtorock:

(http://www.rostronrecords.net/)

(http://www.myspace.com/planningtorock)

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Planningtorock)

Melanie Bonajo fez todo o visual do disco e todas as imagens de divulgação de Planningtorock e eu simplesmente achei incrível! A partir de então comecei a pesquisar mais o seu trabalho.

A poética de Melanie Bonajo é muito interessante, pois trabalha a roupa, ou seja, a moda como um objeto de performatividade; além disso suas fotografias sempre trazem um tom bizarro e kitsch quase que como dismistificando a aura dos editoriais de moda e o glamour que a moda aparentemente carrega. Mas ela não se limita apenas a essa discussão, Bonajo re-interpreta o corpo na contemporaneidade, subverte também questões cotidianas, como por exemplo nossas relações com objetos do dia-a-dia e relações com o mundo urbano, a questão também do privadoXpúblico e principalmente a idéia de rastro (desaparecimento e camuflagem). Comparações não muito distantes ligam a artista a Erwin Wurm – outro artista que mantém uma colaboração profunda com a moda.

Em suas inserções pela moda, publicidade, design e outras mídias Melanie Bonajo sempre trabalha de uma forma muito autoral levando sua poética única para todas essas outras formas de comunicação.

A artista já colaborou com as maiores revistas de moda e arte do mundo e já fotografou também muitas campanhas mas nos últimos tempos ela vem se dedicando a parcerias com músicos, desenvolvendo todo um trabalho de direção de arte para esses artistas.

Se você quiser saber mais sobre Melanie Bonajo google it! O site da artista está em construção, mas na internet existem muitas fotos e informações sobre ela.

Bom, fica a dica.

Um abraço

Bruno Mendonça – IBModa

&quot

22/02/2010

“O devorador da web” foi a matéria publicada por Ernane Guimarães Neto no Jornal Folha de São Paulo no dia 21 de fevereiro de 2010. A matéria apresenta uma entrevista com o escritor David Kirkpatrick autor do livro “O Efeito Facebook”.

Achamos muito boa a matéria e resolvemos publicar ela na íntegra aqui no blog afinal as mídias sociais são um fenômeno da cultura contemporânea e para o segmento de moda têm sido uma ferramenta incrível.

Segue a matéria:

O devorador da web

Ernane Guimarães Neto – Folha de São Paulo (Caderno +)

21 de fevereiro de 2010

O jornalista norte-americano David Kirkpatrick, 57, identifica no site de relacionamentos Facebook a ambição de dominar o mundo das informações pessoais. Para ele e os executivos do site, isso não é vilania, mas um serviço. Kirkpatrick está escrevendo “The Facebook Effect -The Inside Story of the Company That’s Connecting the World” (O Efeito Facebook – A História da Companhia Que Está Conectando o Mundo Vista de Dentro, com previsão de lançamento em junho pela editora Simon & Schuster).

A história “verdadeira” ou oficial promete anular o efeito do filme “The Social Network” [A Rede Social, em produção], que conta a criação da mais popular rede de relacionamentos do mundo como motivada pelas dificuldades de seus criadores de arrumar amigos e namoradas na prestigiosa Universidade Harvard. Em termos de contas cadastradas, embora os dados sejam passíveis de contestação (contas abertas não significam usuários ativos), o Facebook tem estimados 400 milhões de perfis, dos quais cerca de 3 milhões de brasileiros -estes vêm mais que dobrando nos últimos seis meses, em que jogos como “Farmville” e “Mafia Wars” têm se tornado populares.

O Orkut ainda é a rede mais popular no Brasil. Os brasileiros têm 51% das mais de 80 milhões de contas dessa rede. Ex-colunista de tecnologia da revista “Fortune”, Kirkpatrick é criador da conferência “Techonomy”, que acontece em agosto. Segundo ele, o neologismo, mistura de “tecnologia” e “economia”, se refere a uma “nova filosofia do progresso”, que pode ser resumida na fórmula “qualquer tipo de progresso precisa aceitar a mudança exponencial na tecnologia”.

Se a economia convergir com as tecnologias desenvolvidas pelo Facebook, a tendência é vivermos num mundo de menos senhas e ainda menos privacidade, como se pode verificar na entrevista abaixo, concedida à Folha por telefone.

FOLHA – Por que o Facebook fez mais sucesso que outras redes?

DAVID KIRKPATRICK – A primeira razão que fez dele um sucesso é ser baseado na identidade genuína. Diferentemente de Friendster, MySpace ou Orkut, por exemplo, para se cadastrar é preciso usar um nome real.

Ele não foi projetado para que se conheça gente nova, mas para encontrar pessoas já conhecidas. É uma vantagem em relação a outras redes sociais, que admitiam nomes falsos.

O Friendster ficou famoso por seus “fakesters” [“falsários”], por exemplo. Algumas redes tentaram controlar o uso de identidades falsas, mas falharam. O MySpace, ao contrário, nunca ligou para isso. Outro motivo foi a simplicidade da interface -pode-se dizer que ele tem como modelo o Google. Manter a propaganda a um mínimo dava uma sensação não comercial. E tinha ferramentas mais simples de usar do que os concorrentes.

O MySpace, por exemplo, é muito decorado, caótico; parece a Times Square: cheio de luzes piscantes. Pode fazer sucesso com adolescentes, mas o Facebook apela tanto aos avós quanto aos jovens.

FOLHA – Se procuro uma banda, tento o MySpace; se busco um jornalista, entro no Twitter. Há um usuário típico do Facebook?

KIRKPATRICK – Não. Nos primeiros anos, houve o estudante universitário norte-americano, mas esse grupo caiu para menos da metade. O que mais cresce é de mulheres entre 35 e 45 anos. É um site global. No Canadá, 42% da população está cadastrada. Seu uso é associado a pessoas com maior nível de instrução, diferentemente do MySpace. Mas, no Reino Unido, por exemplo, o site é popular em meio à classe trabalhadora.

FOLHA – O Facebook era a rede dos universitários e se generalizou. O Twitter não nasceu com a marca de ferramenta jornalística ou política, mas se tornou algo assim. Quão imprevisível é o desenvolvimento do perfil dessas redes? Prevalecem a estrutura ou os usuários?

KIRKPATRICK – A estrutura define o uso. O Twitter foi pensado como sistema de difusão, portanto quem aderiu foram comunicadores, políticos e empresas. Adolescentes geralmente não querem fazer anúncios públicos. No Facebook, as funções foram desenvolvidas para universitários, mas, com a ampliação, suas funções passaram a ser deliberadamente pensadas para um público maior.

FOLHA – A história segundo a qual o Facebook foi inspirado nos clubes da Universidade Harvard, contada em “The Accidental Billionaires” [Os Bilionários Acidentais, de Ben Mezrich, ed. Doubleday], tem apelo. Tal livro é um desserviço ao estudo das redes sociais?

KIRKPATRICK – Essa versão tem apelo, mas é falsa. O próprio título mostra que é falso, pois um sucesso assim não ocorre por acidente. Chamá-lo de acidental é idiotice. Ben Mezrich obteve suas informações principalmente do brasileiro Eduardo Saverin [leia texto nesta pág.], um estranho para Zuckerberg e que agora está amordaçado por um acordo judicial [pelo qual foi reconhecido como cofundador da rede derelacionamento]. A ideia de que criaram o site para “pegar mulheres” é falsa. É claro que todos querem entrar nos “final clubs” [sociedades de alunos de Harvard], mas daí dizer que o site foi criado por isso é absurdo. A parte do sexo é toda inventada. Mezrich conta o que Zuckerberg pensava e fazia, mas nunca perguntou a ele sobre isso.

FOLHA – O que o sr. espera do filme “A Rede Social”, baseado em “Os Bilionários Acidentais”?

KIRKPATRICK – Vai chamar alguma atenção, é claro. Pelo que vi do script, poderia até se tornar uma versão mais correta, mas acho difícil, porque a história falsa é bem cinematográfica.

FOLHA – Há agora uma onda de brasileiros entrando no Facebook. Eles estragarão a rede, como alguns americanos diziam que os brasileiros fizeram com o Orkut?

KIRKPATRICK – O Facebook é a maior rede social em muitos países, mas o Brasil é uma das grandes exceções. Nos primeiros tempos do Orkut, houve uma campanha brasileira para ultrapassar os americanos em número de usuários, e muitos americanos saíram, pois havia reclamações quanto ao português ter se tornado o idioma corrente. No Facebook a tendência é um pouco diferente. Seu design enfatiza que as pessoas encontrem apenas gente conhecida de verdade; você só vai encontrar gente de outras nacionalidade se forem seus amigos.

FOLHA – Aí está um problema novo. Depois de bater Orkut e MySpace, depois de conseguir evitar que muitos usuários abandonassem o site em favor do Twitter, agora vem um nova fase: a era dos aplicativos, especialmente os jogos. Eles não destroem o design limpo e o princípio da amizade baseada no “mundo real” do Facebook?

KIRKPATRICK – Poderiam, se a tendência continuar e sair do controle. Mas duvido. A ambição do Facebook não é ser a maior rede social, é ser a infraestrutura identitária da internet. Querem mapear as relações sociais, de modo que possam aplicar tais mapas para todas as outras atividades on-line -e até off-line. Eles não arriscarão a qualidade do que chamam “gráfico social”. Os engenheiros da empresa reconhecem abertamente que a meta é não precisar usar mais o endereço facebook.com. Ele se tornará um serviço a ser usado através das outras redes. Já existe o Facebook Connect, que unifica senhas de diversos serviços; a pessoa navega por outros sites sempre mantendo a rede de relações do Facebook. Eles já têm a capacidade de alimentar o Facebook e transferir informações do sistema a partir de outros sites. Creem que, no longo prazo, tudo na internet terá um componente social. Querem fazer a conexão de uma rede com as outras: você entra num site de jornal, entra no MySpace, e a informação vai para o Facebook.

FOLHA – A tendência é uma rede concentrar a informação de toda a internet?

KIRKPATRICK – É uma questão de “custo da mudança”. Uma vez que você estabelece sua rede de contatos, seu “gráfico social”, é muito cansativo e trabalhoso reiniciar e tentar recriar suas conexões em outro lugar. Ninguém quer fazer isso. O Google está tentando resolver esse problema com o Buzz, mas a partir das conexões de e-mail -porém vários jovens não usam e-mail no mesmo nível das redes sociais.

Luciane Robic – IBModa

CH – Crise, nova loja e novo presidente.

18/02/2010

Carolina Herrera deu ontem uma entrevista ao jornal mexicano “El Periódico de México”, onde comentou os efeitos da crise econômica no mundo da moda. A estilista venezuelana atribui o sucesso de sua marca a capacidade de combinar fantasia e realidade. Com 153 pontos de distribuição espalhados por todo o mundo, nove fragrâncias e leal clientela, Carolina Herrera diminuiu 10% do preço de suas peças para manter suas vendas aquecidas neste momento fragilidade econômica.

Ela afirma que é possível diminuir o preço sem mexer na qualidade, mas isso só é feito com muito estudo de cortes e desenho. “Existem muitas maneiras de fazer um vestido para que seu preço de equilíbrio seja diferente. Se têm bordados, se usam menos para que o preço seja mais baixo, ou então encurtamos as mangas. Ou talvez, ao invés de longo, fazemos um vestido curto”.

Como todos no mercado, suas lojas também sofreram impactos financeiros ao notar que as compras estavam diminuindo. “As mulheres sentem remorso de compra independente de como esteja a economia. Por isso mentem aos maridos sobre as compras”.   Porém, diante de centenas de desempregados e contas a pagar, esse remorso fica maior.

Mas a estilista é categórica, não dá pra desanimar e deixar-se abater. Com leves sinais de recuperação, os consumidores já voltaram a gastar mais do que há um ano atrás. Sendo assim a marca acaba de abrir mais uma loja em Las Vegas, apostando em uma melhora rápida.

Desanimar não faz parte do perfil de Carolina Herrera. Mesmo depois de perder Mario Grauso, presidente de sua empresa por quase 10 anos, para Vera Wang, a estilista manteve o pulsos firmes e segue controlando tudo o que passa dentro de seu universo. Embora seu forte seja o desenho, CH aposta em seu sexto sentido para direcionar os passos da marca, mas continua a busca por um presidente que controle toda a sua empresa distanciando-se totalmente da parte criativa. Alguém com bom gosto para moda, mas com grande tino comercial. Alguém se habilita?

Eliná Enrique – IBModa

Olhares diferentes para a Moda

18/02/2010

(imagem: Inez Van Lamsweerde & Vinoodh Matadin)

por André Robic – IBModa

Será que um jornalista científico tem alguma contribuição a dar para o mundo da moda?

Essa é a pergunta que o próprio Ricardo Bonalume Neto, repórter científico da Folha faz, no início de seu artigo “Um ET na São Paulo Fashion Week”, publicado na Revista da Folha há duas semanas.  O artigo prova que, mais do que conhecimento específico em um assunto determinado, vale o conhecimento geral sobre o todo, e o senso de observação aguçado – seja para a carreira jornalística, de estilista, administrador ou o que quer que seja. Somando-se a esses dois ingredientes o bom senso, chega-se a uma compreensão do todo, que permite entrar no detalhado e destrinchá-lo, como se fosse um perfeito especialista.

Vamos disponibilizar aqui a matéria na íntegra…

(SPFW)

REPÓRTER ESPECIALIZADO EM JORNALISMO CIENTÍFICO DECIFRA O MUNDO DA MODA

Um ET na São Paulo Fashion Week

por Ricardo Bonalume Neto

Você vai me visitar na São Paulo Fashion Week?, perguntou a Moça Bonita.

Difícil relembrar a resposta exata, mas sem dúvida houve uma hesitação de alguns segundos para dizer “vou”. Nunca antes na história deste país o cara tinha estado em um desfile de moda. Nunca tinha pensado em ir a um até descobrir que a Moça Bonita estaria ali trabalhando do meio-dia à meia-noite e que seria a única maneira de vê-la um pouquinho durante a semana. Uma literal escrava da moda…

Entenda o dilema deste cara, um jornalista especializado em ciência e em assuntos militares, cuja noção básica de moda é combinar uma calça azul com uma camiseta cinza, e vice-versa.

Um repórter que no mesmo ano cobriu o Protocolo de Kyoto e a guerra civil no Zaire (hoje Congo), que sabe definir o que é uma mitocôndria ou um destróier. Um sujeito que não sabe usar roupas de grife, mas usa um grifo para trocar uma torneira.

Para amenizar o mergulho no mundo fashion, a Moça Bonita deu de presente um livro útil: “Aurélia, a Dicionária da Língua Afiada”, de Angelo Vip e Fred Libi, com 1.300 verbetes do “universo gay”, de onde vem boa parte da linguagem dos “fashionistas”. Linguagem, por sinal, era o tema desta edição de inverno 2010 da SPFW, encerrada no último dia 22. Sem dúvida uma leitura inusitada para um “homem- homem” (tradução: heterossexual convicto).

Mais ajuda viria de alguns amigos jornalistas de moda. Lá estaria um príncipe dos profissionais da área, Alcino Leite Neto, editor da Folha. Duas grã-sacerdotisas fashion também me ajudariam, as jornalistas Lilian Pacce e Erika Palomino.

Pode até parecer que estou “fazendo a íntima” (tradução: fingir que é amigo), mas conheço as moças da época em que trabalharam nesta Folha.

O primeiro desfile a gente realmente nunca esquece. O meu foi o do estilista Fause Haten. As modelos surgem em “staccato”. Mal dá tempo para olhar a roupa de uma e logo aparece outra. Roupas extravagantes, exageradas. Peles, plumas, padrões coloridos, tecidos brilhantes, bolsas enormes. Todas usando uma enorme peruca preta, batom escuro, maquiagem clara; parecem um exército de clones, replicantes letais saídos de um filme como “Blade Runner”. “Que meda!” (tradução: que medo!).

Como nunca tinha visto tantas modelos juntas, logo reparo na magreza extrema.

Onde estão as curvas? Quando elas voltam, presto atenção (vamos dizer de modo delicado) nos seus “derrières”. Retos! Achei que era preconceito meu. Mas dias depois a Folha publica reportagem com o título “Magreza excessiva domina passarelas”. Ah, então não fui só eu que percebi que algo estava errado no pedaço!

A confirmação veio no desfile da Rosa Chá, um dos mais esperados, por ser a estreia do estilista Alexandre Herchcovitch na grife. Em roupa de praia, dava para ver os ossos de algumas dessas comedoras de alface. Claro, havia também várias mais saudáveis. Não dá para colocar um biquíni em uma modelo sem bunda, oras.

Esse desfile teve uma cena bonita. Uma moça perdeu um sapato alto, pegou o calçado do chão e desfilou com a elegância possível com um pé descalço. Achei um belo gesto. Depois me explicaram que elas são treinadas para agir assim; se fossem parar para colocar o sapato, criariam um engavetamento de modelos.

Bem, este ET que pousou na Fashion Week ainda acha que foi bonito.

Os desfiles podiam ser vistos também em telas espalhadas pelo prédio da Bienal, entremeados com outras coisas, como anúncios. Surge na tela a frase: “Moda é um território livre”. Mais orwelliano, impossível! O evento é repleto de seguranças e hostesses barrando a entrada dos mortais comuns, a categoria dos “sem- convite”.

O mundo fashion parece conter mais castas que a Índia. Aparecem pencas de “famosos” e “celebridades”, muitas delas da versão instantânea, como os integrantes de shows tipo “Big Brother” (uma criação de George Orwell, não custa lembrar).

Fotógrafos furiosamente clicam uma loira de vestido rosa. Não tenho a menor idéia de quem seja. O status é medido pelo acesso: aos desfiles, ao backstage (trad.: bastidores), aos lounges (trad.: sala onde tem espumante em taças descartáveis de plástico), aos brindes.

A primeira fila de cadeiras no desfile é reservada aos poderosos. Foi um pouco uma surpresa ver essa extrema hierarquização. É óbvio que isso existe em outras áreas. Não dá para ir entrando no chalé da Boeing no salão de aviação de Le Bourget sem ser convidado. Mas imaginava o mundo fashion mais aberto. “Isso aqui está cheio de víboras”, disse um colega.

Caminhava ao acaso pela avenida Brigadeiro Faria Lima quando tropeço, na frente do Shopping Iguatemi, com modelos masculinos carecas com uma maquiagem de caveira. Tinham estado ali em outro desfile de Herchcovitch, o “macho alfa” da matilha dos estilistas brasileiros.

E de novo vou refletindo como modelos jovens em início de carreira podem ser desumanizados, enquanto os “tops” são endeusados e tudo podem, até ter um corpo saudável.

Foi divertido dar um mergulho na superfície desse mundo aparentemente fútil, mas tendo na base uma indústria importante, de vestuário. Alguns desfiles mais “conceituais” não vão parar nas prateleiras das lojas, outros vão.

Fã de carteirinha de Sherlock Holmes, gostei de vê-lo homenageado na coleção da 2nd Floor (espero que isso não assuste os estilistas da grife, mas tinha coisa que até eu usaria). O mesmo não dá pra dizer da moda masculina de Mario Queiroz. A combinação de calça xadrez branca e preta com jaqueta amarela, vermelha, azul e rosa é assustadora.

Que meda!

6º Colóquio de Moda – Moda também é Ciência

18/02/2010

Ficou para trás o tempo em que a moda era uma atividade empírica, em que as pessoas aprendiam umas com as outras, e faziam todo o trabalho, desde a criação até a a venda – passando por todo o resto. Hoje, trabalhar com vestuário (e portanto com moda), requer conhecimentos profundos e detalhados de cada uma das etapas da cadeia produtiva e, por isso, cada uma dessas atividades passou a ser objeto de estudos e pesquisas científicas.

O Colóquio de Moda é o maior evento científico-acadêmico de moda do Brasil. Tem a finalidade de debater as principais questões para o desenvolvimento do setor, por meio da apresentação e discussão de trabalhos de pesquisa elaborados por alunos, professores e pesquisadores da área, distribuídos por 17 grupos de trabalho, que abordam semiótica, corpo e negócios da moda, entre outros.

Nesse ano, a 6ª Edição do Colóquio de Moda será em São Paulo, entre os dias 12 e 16 de setembro. Prepare seu trabalho: as inscrições de trabalho vão até o dia 30 de abril. Um dos Grupos de Trabalho é o de Negócios da Moda, que estreou no ano passado, e aceita pesquisas acadêmicas nas áreas de marketing, gestão de negócios, empreendedorismo, varejo e marcas de moda.

Para saber + link-se:

www.coloquiodemoda.com.br

André Robic – IBModa

A Moda na era digital

17/02/2010

Hoje a moda oferece um vasto campo de atuação, que vai desde a criação à gestão, passando por várias outras vertentes como stylist, produção e comunicação. Moda, assim como arte depende de talento. Porém a profissionalização é tão imprescindível como para qualquer outra profissão.

O IBModa sempre acreditou na moda brasileira e na capacitação de seus profissionais. Com a intenção de fazer chegar a todos o acesso a uma formação diferenciada e de qualidade, aposta por cursos on-line práticos, com professores atuantes e reconhecidos no mercado disponibilizando o ensino ao lugar em que o aluno estiver. É a moda ganhando seu espaço no era digital.

Já estão abertas as inscrições para os cursos de Marketing de Moda e Gestão de Marcas que tem início em março. Vale a pena dar uma olhadinha no site (www.ibmoda.com.br) e saber mais sobre essa boa novidade, afinal todo mundo merece ter acesso ao ensino e a dar-se uma atualizada nesse universo que não para de crescer!

Fica a dica!

NOVO!

12/02/2010

Ontem eu encontrei as fofíssimas das meninas do NOVO – Expressão de Moda. Vocês não conhecem esse projeto? O Novo – Expressão de Moda é idealizado por Carolina Semiatzh e Teca Pasqua e conta com a colaboração de Ronaldo Fraga, Maurício Ianês e Cris Mesquista.

O principal conceito do NOVO sugere apresentar novos projetos de moda, fomentar novos estilistas, designers e artistas e propor ações educativas na área de moda.

As meninas já realizaram uma primeira ação na Galeria Olido em São Paulo no ano passado e estão indo para uma outra ação para acontecer até o primeiro semestre desse ano, provavelmente até abril ou maio.

Além disso elas cuidaram da parte de pesquisa e palestras daúltima edição da Casa de Criadores. O NOVO possivelmente surgirá com outros projetos por aí se tudo der certo e a idéia é realizar muitas coisas mais!

Acho muito interessante essa proposta de difundir a moda e trabalhar este segmento num formato mais educativo e de informação/conteúdo e fazer com que a área se torne ainda mais interdisciplinar. Só que o mais bacana disso tudo é o apoio de gente tão legal e a realização disso tudo por gente tão jovem…com sede de novidades e novos formatos.

Para quem quer conhecer mais sobre o projeto entre no blog: http://novodonovo.wordpress.com/

Acho muito válido! Colaborem, divulguem, participem e inovem!

Bruno Mendonça – IBModa

Unravel

12/02/2010

Para McQueen…

while you are away

my heart comes undone
slowly unravels
in a ball of yarn
the devil collects it
with a grin
our love
in a ball of yarn
he’ll never return it
so when you come back
we’ll have to make new love

Equipe IBModa

Negócio Verde

12/02/2010

Gente saiu na Revista América Economia uma matéria incrível sobre um arquiteto do interior de São Paulo que desenvolveu um processo de produção usando retalhos de couro descartados pela indústria calçadista para fazer tijolos!

Franca, fica a 400 km de São Paulo e é um polo nacional calçadista e têxtil, principalmente em couro. Lá mesmo é que o arquiteto Emar Garcia Júnior colocou em prática seu experimento. Totalmente conectado com a arquitetura sustentável Emar já desenvolvia projetos com as empresas da região nesta área e depois começou a olhar diretamente para o refugo das fábricas e descobriu que dali poderia surgir algo também.

Foi um processo de oito anos de pesquisa tentando descobrir o que se fazer com os retalhos de couro até que surgiu a possibilidade de utilizar o couro na construção civil! Emar desenvolveu uma forma de transformar o couro em tijolo! Como?

Pois é, o arquiteto descobriu que os retalhos misturados com produtos como bactericidas, catalisadores e outros pode transformar tudo numa massa e posteriormente em bloco! A massa seca e é naturalmente moldada. Os blocos quando prontos podem ser colados com cola PVA. Isso é o máximo!

Após a descoberta Emar montou uma pequena empresa – a Courecol que mantém trabalhos em parceria com as produtoras de couro e calçados e chega a utilizar 5 toneladas mensais juntando todo o refugo produzido pelas fábricas.

O processo de fabricação do tijolo sustentável nem é tão demorado e é feito ao ar livre praticamente sem utilização de energia. Esse tipo de tijolo tem um isolamento térmico e acústico em torno de 40% e chega a custar em torno de R$ 1 a unidade.

Emar não revela o faturamento da empresa mas diz que a área de consultoria ambiental nesta parte de arquitetura, design e moda é tão crescente e tão instigante que ele vê muito retorno para esse segmento. A sustentabilidade também é um ponto de união entre áreas que às vezes nunca pensariamos em juntar como moda e construção civil…Pois é ainda estamos longe do ideal no que diz respeito à “eco-actions” mas nos últimos anos vejo que estamos saindo da estaca zero.

Achei incrível esta matéria e sempre que tiver outros artigos e textos nesta área eu irei postar aqui!

Bruno Mendonça – IBModa